terça-feira, outubro 11, 2005

Presente...

"Deve- se estar sempre bêbado.
É a única questão.
Afim de não se sentir o fardo horrível do tempo, que parte tuas
espáduas e te dobra sobre a terra. É preciso te embriagares
sem trégua.

Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude?
A teu gosto mas embriaga-te.

E se alguma vez sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de
uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu te encontras com a
embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao
pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que voa, a
tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, a tudo aquilo que geme.
Pergunte que horas são.
E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão.

É hora de se embriagar !!!

Para não ser como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te.
Embriaga-te sem cessar.

De vinho, de poesia ou de virtude. A teu gosto..."

(Charles Baudelaire)

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