quarta-feira, maio 31, 2006

É...

E já dizia Bertold Brecht:

O que é, por ser exatamente tal como é, não vai ficar tal como está.

E que cada um interprete como quiser...

terça-feira, maio 30, 2006

Brasil: verde-amarelo (e preto - ou cinza mórbido)

Brasil 8 x Lucerna Zero
Verde-amarelo de grandes contrastes
Verde farol verde
Verde jóia
Legal
Tudo bem
Amarelo feliz alegre...
E preto...
Preto porque a política pão e circo continua
Preto pelo dia-a-dia obscuro
tal qual o futuro de quem precisa de comida
de um lar
de uma cura
de esperança
Mas a esperança não é verde-e-amarela?!
Viva a Seleção!
Oito a zero
E o resto do país grita feliz
Verde e amarelo
E a nuvem negra por trás com pingos dolorosamente vermelhos chia
reclama seu direito de se fazer ouvir
se esvai nas sombras de mais um morto que também torcia
pela Seleção
Pelo Brasil!
Viva Brasil!
"...dos filhos deste solo és mãe gentil..."
Até porque muitos de seus filhos já estão morbidamente mortos...

quarta-feira, maio 24, 2006

Iluminação

Uma paz profunda invadiu
E a sensação totalizante:
por um momento tudo se iluminou de uma luz azul
Estava em transe
mesmo após ter aberto os olhos
As mãos não mais tremiam
pela primeira vez na vida
estava estável
A sensação de que o tempo parou continuava
mesmo depois de ter saído da casa espírita
Sentia como se estivesse possuído por um espírito elevado
Uma alma mais calma
Alguém que enxerga além

Que esse estado de ser seja permanente...

segunda-feira, maio 22, 2006

Crônica do eterno acreditar...

Lá estava ele
Cinza numa mancha cinza
Num dia de céu cinza
E nessa pintura triste
Monocromática
Acinzentada
A camiseta branca
única coisa que destoava daquele tom mortalmente monótono
com aquela frase
Mais parecia uma ironia da vida
ou um tipo de brincadeira de mau gosto
sem graça
daquelas que só servem para causar embaraço em alguém
E de fato incomodou...
"ACREDITAR SEMPRE..."
como que um outdoor em alguém que não veio ao mundo daquele jeito
tão maltrapilho
sujo
tão carente
tão sem amor próprio...

Mais um murro na cara das pessoas que sentem que algo está errado...

A matança dos suspeitos (publicado na Agência Carta Maior)

Já que não temos justiça, por que não nos contentar com a vingança? Os

meninos pardos e pobres da periferia estão aí pra isso mesmo. Para morrer na

lista dos suspeitos anônimos. Para serem executados pela polícia ou pelos

traficantes.
Vamos falar sério: alguém acredita que a rebelião do PCC foi controlada pela
polícia de São Paulo? Vejamos: as autoridades apresentaram aos cidadãos

evidências de que pelo menos uma parte da poderosa quadrilha do crime
organizado foi desbaratada? O sigilo dos celulares que organizaram, de

dentro das prisões, a onda de atos terroristas no estado de São Paulo,

Paraná, Mato Grosso, etc, foi quebrado para revelar os nomes de quem
trabalhou para Marcos Camacho, o Marcola, fora da cadeia? Qual foi o plano

de inteligência posto em ação para debelar a investida do terror iniciada no

último final de semana?


Alguém acredita que "voltamos à normalidade?" Ou se voltamos – pois a vida

está mais ou menos com a mesma cara de antes, só um pouco mais envergonhada:
de que normalidade se trata?


Uma normalidade vexada: uma vez constatada a rapidez com que os capitalistas

selvagens do tráfico de drogas desestabilizaram o cotidiano do estado mais

rico do Brasil, não dá mais para esconder o fato de que nossa precária
tranqüilidade depende integralmente da tranqüilidade deles. Se os defensores

da lei e da ordem não mexerem com seus negócios, eles não mexem conosco.

Caso contrário, se seus interesses forem afetados, eles põem para funcionar

imediatamente a rede de miseráveis a serviço do tráfico, conectada através
de celulares autorizados pelo sistema carcerário (que outra explicação para

a falta de bloqueadores e de detectores de metal nos presídios?) e toleradas

pelo governador de plantão. No caso, o mesmo governador que, na hora do

aperto, rejeitou trabalhar em colaboração com a Polícia Federal e, horas
depois, negou ter feito acordos com os líderes do PCC. Segunda feira, nos

telejornais, o governador Lembo nos fez recordar a retórica autoritária dos

militares: nada a declarar além de "tudo tranqüilo, tudo sob controle". E

quanto aos oitenta mortos (hoje são 115), governador? Ah, aquilo. Bem,
aquilo foi um drama, é claro. Lamento muito. Mas pertence ao passado.


A falta de transparência na conduta das autoridades e a desinformação

proposital, que ajuda a semear o pânico na população, fazem parte das

táticas autoritárias do atual governador de São Paulo. Quanto menos a
sociedade souber a respeito da crise que nos afeta diretamente, melhor.

Melhor para quem?


Na noite de segunda feira, quando os paulistanos em pânico tentavam voltar

mais cedo para casa, vi-me parada ao lado de uma viatura policial, em um dos

muitos congestionamentos que bloquearam a cidade. Olhei o homem à minha
esquerda e, pela primeira vez na vida, solidarizei-me com um policial. Vi um

homem humilde, desprotegido, assustado. Cumprimentou-me com um aceno

conformado, como quem diz: fazer o que, não é? Pensei: ele sabe que está

participando de uma farsa. Uma farsa que pode lhe custar a vida.


De repente entendi uma parte, pelo menos uma parte, da já habitual
truculência da polícia brasileira: eles sabem que arriscam a vida em uma

farsa. Não me refiro aos salários de fome que facilitam a corrupção entre

bandidos e PMs. Refiro-me ao combate ao crime, à proteção da população, que

são a própria razão de ser do trabalho dos policiais. Se até eu, que sou
boba, percebi a farsa montada para que a polícia fingisse controlar o terror

que se espalhava pela cidade enquanto as autoridades negociavam

respeitosamente com Marcolas e Macarrões, imagino a situação do meu
companheiro de engarrafamento. Imagino a falta total de sentido do exercício

arriscado de sua profissão. Imagino o sentimento de falta de dignidade

destes que têm licença para matar os pobres, mas sabem que não podem mexer

com os interesses dos ricos, nem mesmo dos que estão trancados em presídios
de segurança máxima e restrições mínimas.


Mas é preciso trabalhar, tocar a vida, exercer o trabalho sujo no qual não

botam fé nenhuma. É preciso encontrar suspeitos, enfrentá-los a tiros,

mostrar alguns cadáveres à sociedade. Satisfazer nossa necessidade de
justiça com um teatro de vingança. A esquizofrenia da condição dos policiais

militares foi revelada por algumas notícias de jornal: encapuzados como

bandidos, executam inocentes sem razão alguma para a seguir, exibindo a

farda, fingirem ter chegado a tempo de levar a vítima para o hospital.


Isso é o que alguns PMs fazem na periferia, nos bairros pobres onde também

eles moram, onde o desamparo em relação à lei é mais antigo e mais radical
do que nas regiões mais centrais da cidade. Nas ruas escuras das periferias

os PMs cumprem seu dever de vingança e atiram no entregador de pizza. Atiram

no menino que esperava a noiva no ponto de ônibus, ou nos anônimos que
conversam desprevenidos, numa esquina qualquer. No motoboy que fugiu

assustado – quem mandou fugir? Alguma ele fez... Não percebem – ou percebem?

– que o arbítrio e a truculência com que tratam a população pobre contribui

para o prestígio dos chefes do crime, que às vezes se oferecem às
comunidades como única alternativa de proteção.


Assim a polícia vem "tranqüilizando" a cidade, ao apresentar um número de

cadáveres "suspeitos" superior ao número de seus companheiros mortos pelo

terrorismo do tráfico. Suspeitos que não terão nem ao menos a sorte do
brasileiro Jean Charles, cuja morte será cobrada da polícia inglesa porque

dela se espera que não execute sumariamente os cidadãos que aborda, por mais

suspeitos que possam parecer. Não é o caso dos meninos daqui; no Brasil

ninguém, a não ser os familiares das vítimas, reprova a polícia pelas
execuções sumárias de centenas de "suspeitos". Mas até mesmo os familiares

têm medo de denunciar o arbítrio, temendo retaliações.


Aqui, achamos melhor fingir que os suspeitos eram perigosos, e seus

assassinatos são condição na nossa segurança. Deixemos o Marcola em paz; ele

só está cuidando de seus negócios. Negócios que, se legalizados, deixariam o
campo de forças muito mais claro e menos violento (morre muito mais gente

inocente na guerra do tráfico do que morreriam de overdose, se as drogas

fossem liberadas – disso estou certa). Mas são negócios que, se legalizados,

dariam muito menos lucro. O crime é que compensa.


Então ficamos assim: o estado negocia seus interesses com os do Marcola, um
homem poderoso, fino, que lê Dante Alighieri e tem muito dinheiro. Deixa em

paz os superiores do Marcola que vivem soltos por aí, no Congresso talvez,

ou abrigados em algumas secretarias de governo. Deles, pelo menos, a
população sabe o que pode e o que não pode esperar. E já que é preciso dar

alguma satisfação à sociedade assustada, deixemos a polícia à vontade para

matar suspeitos na calada da noite. Os policiais se arriscam tanto,
coitados. Ganham tão pouco para servir à sociedade, e podem tão pouco contra

os criminosos de verdade. Eles precisam acreditar em alguma coisa; precisam

de alguma compensação. Já que não temos justiça, por que não nos contentar

com a vingança? Os meninos pardos e pobres da periferia estão aí pra isso
mesmo. Para morrer na lista dos suspeitos anônimos. Para serem executados

pela polícia ou pelos traficantes. Para se viciarem em crack e se alistar

nas fileiras dos soldadinhos do tráfico. Para sustentar nossa ilusão de que

os bandidos estão nas favelas e de que do lado de cá, tudo está sob
controle.


MARIA RITA KEHL
psicanalista, ensaísta e poeta, é autora do livro "A mínima diferença - o
masculino e o feminino na cultura".

quinta-feira, maio 18, 2006

É camará...


Pega esse nêgo
Derruba no chão
Esse nêgo é danado
Esse nêgo é o cão...


Cumprimenta berimbau
Sai jogando na roda da vida
Aú Aú
Queda de rim
Prepara a chapa do chão
Mandingueiro, desvira meia-lua de compasso
Quebra queixo do caboclo
Sangue no chão...
Pé na oreia
Esquenta banho
E o pau comendo
berimbau gritando
Atabaque aplaudindo
Cumprimento
A volta que o mundo deu
A volta que o mundo dá...

Que falta tá fazendo isso camará...

quarta-feira, maio 17, 2006

Boa noite Vietnã

Foi como um raio de luz por entre frestas de um trapiche banhado pela escuridão
O beijo veio
Assim, doce
Sem esforço
Sem contestação
Um choque de emoções e bel prazer
Deleite total
Bom pra quebrar uma sequência de dias onde cada um deles durou mil anos
Com abutres bicando o estômago, roendo pouco a pouco vísceras
Se transfigurando em dor
Agora nem ela pode impedir o colorido
O céu, o sol, as estrelas e a lua...
...todos sorriem novamente...

sábado, maio 13, 2006

Pensamentos soltos ao vento sobre a guerra dos sexos (ou de como opera o clube das Luluzinhas contra o dos Bolinhas)

Quer melhorar a humanidade?
Quer acabar com guerras e brigas?
Quer um mundo mais calmo e melhor pra todo mundo?
Solução radical, mas extremamente eficaz:
Costura a boca de todo mundo...
Ou traga a pena de morte pra quem errar no "Vaca Amarela"
Palavras, a língua em si, é deveras ambígua e causa toda sorte de desentendimentos
Acho que ultimamente isso é muito mais negativo que positivo
Mas como beijar assim?!
Pensando bem, não costura a boca de todo mundo não
Sem beijo não dá pra ficar...
Arranca as cordas vocais de todos e coloca elas pra esquentar no sol
Até pra evitar que palavras geladas saiam delas pela guela afora
E pra acabar com uma das maiores maldades da humanidade, que segundo Luis Fernando Veríssimo é a força mais destrutiva de todas: a fofoca...
Dessa forma, Luluzinhas e Bolinhas apenas fariam sexo uns com os outros e o mundo seria muito, mas muito mais feliz...

quinta-feira, maio 11, 2006

Flores...em você..(Ira!)

De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois

Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada
Isso é o que me faz dizer

Que vejo flores em você

De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois

Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada
Isso é o que me faz dizer

Que vejo flores em você

Que vejo flores em você

Que vejo flores em você

Que vejo flores em você

Sem falsas modéstias e megalomanias (um mundo melhor...)

A vista do horizonte não diz
Mas a voz que daqui dessa garganta sai clama
ao avistar as luzes do centro da cidade à noite
de que sou o dono de tudo
desse mar de concreto e indiferença e luzes
até onde a vista alcança
mas não fui sempre o responsável por tudo
e por isso esse mundo injusto de merda está do jeito que está
Bão, já que ganhei esse presente
posso afirmar que não me sinto dono de tudo
eu SOU o dono de tudo
e não digo isso por simples mesquinhez de dizer que a posse é minha
tampouco se trata de megalomania
Sou o dono de tudo, porque nessa cidade fria
banhada à força pela luz da lua cheia
nessa noite de céu claro
eu sei que posso fazer o que quiser
posso tudo
tenho carta branca dos deuses
sou invencível em minha couraça que palpita ao ritmo da emoção
E as coisas vão mudar daqui pra frente
o horizonte vai ficar mais amplo
mais colorido
para todos
O mundo de fato não é só preto e branco
Trata-se de infinitos tons de cinza
Uns mais claros
Outros nem tanto...
Sai debaixo quem joga no time dos bandidos
Porque esse mocinho aqui veio pra ficar
Aqui se joga pesado
E as coisas vão mudar pra melhor
nem que seja à força
pra todo mundo...

O mais onipotente e modesto de todos os mortais voltou...

segunda-feira, maio 08, 2006

A maior de todas as conspirações

E nesses pensamentos soltos de uma segunda-feira ociosa à tarde, com um filme porcaria na Sessão da Tarde e vislumbrando pela primeira vez o horizonte de recebimento da primeira parcela do meu Seguro Desemprego, tive um dos maiores insights da minha vida: descobri por mim mesmo a maior de todas as conspirações!

Se tem a ver com Estados Unidos e a Área 51?
Não, passou longe...
Governo Lula?
Tem muita coisa aí, mas não é isso. Corrupção existe no mundo inteiro.
Se o Dan Brown é um descendente de Cristo e esse é o grande enigma do "Código da Vinci"?
Também não...

O grande enigma, a maior de todas as conspirações, é o reconhecimento da maior organização mafiosa existente nesse mundo, que tem sede e opera em quase todos os países, e cujo objetivo é conquistar o mundo e fazer com que todo ser humano desse planeta fale com o erre dobrado do interior: as Pamonhas de Piracicaba! Conheço gente que jura de pé junto que viu uma Variant amarela operando a venda de pamonhas em Tóquio por meio de um megafone branco preso no teto, há relatos em que Saddam Hussein teria se alimentado das mesmas enquanto estava foragido e PC Farias não fugiu do interrogatório relativo ao esquema no governo Collor: na verdade ele viajou na surdina levando a fórmula secreta para uma multinacional que planejava concorrer com a organização criminosa em questão...

sábado, maio 06, 2006

Pequeno manual-prisma para uma vivência bem-sucedida (ou de como sentir o todo sem esse título de auto-ajuda barata!)

Olhe pela fresta entreaberta do buraco da fechadura
Veja o que os olhos se negam a ver, onde a vista indubitavelmente alcança...não precisa mirar longe
Enxergue algo pelo qual pessoas morreriam lutando ou simplesmente negariam sua sobrevivência apenas para vislumbrar um desfecho para suas próprias dúvidas desalentadoras
Ouça tudo que está à sua volta, até aquele chiado inexistente causado pelo existente alienador das grandes cidades
Escute o que outrem diz sobre o assunto alheio, mas principalmente o que o alheio pensa sobre ele mesmo
Respire só pelo prazer de estar vivo e para dar um grito ao mundo que te ignora, mostrando o seu transbordante fel de sentimentos
Sinta que você está aqui, ainda que não saiba pra que nem porquê...todos são assim, só não percebem que precisam perceber...
Antes de tudo, duvide
E antes mesmo de duvidar, acorde!

terça-feira, maio 02, 2006

Enjoy the Silence (Depeche Mode)

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can´t you understand
Oh my little girl

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms...

As palavras são como a violência
Quebram o silêncio
Chegam arrebentando
Em meu pequeno mundo
Dolorosas pra mim
Me atravessam
Você não entende
Minha pequena garota

Tudo que eu sempre quis
Tudo que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são muito desnecessárias
Tudo que elas fazem é machucar

Votos são feitos
Para serem quebrados
Os sentimentos são intensos
Palavras são triviais
Os prazeres permanecem
E a dor também
As palavras não têm significado
E são esquecíveis

Tudo que eu sempre quis
Tudo que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são muito desnecessárias
Tudo que elas fazem é machucar