domingo, outubro 09, 2005

Direto da luz

De que vale toda a dor
todo o desespero mundano
toda a carga de sentimentos negativos
senão para tentar domar as palavras
submetê-las ao jugo da hierarquia
do quem pode mais?

Essa era a crença que tinha
a de que para escrever com alma
era preciso que uma nuvem negra envolvesse a luz

Assim como um tabu de ontem
mais essa idéia se rompeu
Sei que posso com elas
sei que consigo lidar com esse ego ensandecido
sem ter que estar vestido de preto
da cabeça aos pés.

Pois hoje me sinto leve
vivo como a luz
Pura energia!
Terá sido o efeito de minha companheira
a cachaça?
Acredito que não...
Sei que não.

O doce da boca persiste
entre uma lembrança e outra
E não foi da cana
nem da fumaça da cannabis
nem de palavras enviadas pelo celular
Vem de um lugar esquecido
de um sentimento adormecido
julgado morto em outros tempos.

Num mundo cínico, o maior de todos os pecados
É a negação de si mesmo
através da negação do que sentimos

Nada justifica isso
e por mais que seja errado
e por mais que saiba que estou errado
Sei que é o caminho que devo trilhar agora

Devo apenas segurar o ímpeto romântico momentâneo

Estaria sendo cínico comigo
ou estou apenas jogando?

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