domingo, outubro 09, 2005

Era para ser meu poema mais belo...

Me sinto como o mais mortal dos mortais
Sei que o que está acontecendo é o certo
Mas na verdade não sei nada
Sei as palavras que devo colocar aqui
Mas na verdade não sei
Estou embriagado por algo que não foi
mas poderia ser
Ou ainda poderia ter sido
não sei
Palavras
Vou deixá-las fluir
Pra ver onde vai dar

As emoções me trespassam como a
um faquir numa cama de pregos mal elaborada
Estou a ponto de explodir
mas não de fazer besteira
reaprendi o que é o amor
e sei que devo me esquecer
Vivi anos em meros dias
O tempo cronológico nunca foi medidor de nada
Pelo menos nada que importasse

É incrível a facilidade que as pessoas têm
Em não serem fáceis
em não serem simples
Aqui me incluo
Não sou melhor nem pior que ninguém
estou confuso
como todo mundo
Me revolto com as palavras
mais uma vez
porque por mais que me esforce
Me descabele
Grite
desespere
Sei que nunca vou conseguir expressar nem um mero
grão de areia
da praia dos meus sentimentos
Horrível analogia
Horrível poética
Mas foi tudo que eu consigo produzir
Pois agora é meu único refúgio
Penso no mar, no sol, na prancha e em minha barraca
Como um apoio para minha alma
Um lugar onde me esconder de mim mesmo
Um lugar para recomeçar

Egoísmo de minha parte?
Talvez...
Mas me acuse um primeiro
que nunca sentiu a mesma coisa que eu
alguma vez
ainda que não tenha tido a coragem
ou a capacidade
de colocar isso no papel...

A vida é assim...
E o que me mantém de pé é que daqui há algum tempo
vou rir de tudo isso
Como sempre fiz
Como sempre faço
Eu e meus amores voláteis
Não me canso de errar
e de repetir o mesmo erro eternamente
Porque ainda que isso me cause dor
Me mostra um fato que não posso negar:
ainda vivo, e o que mais quero é viver
Para poder errar de novo
Amar de novo
Sofrer, vazio
Esquecer de novo
E recomeçar

Sem mágoas
Sem ressentimentos
Me sinto maduro
E ao mesmo tempo
mais criança do que nunca
Sei que cresci porque parei com joguinhos
Sei que regredi
Porque me falta o julgamento mais lúcido
Quando o assunto são os próprios sentimentos

Isso era para ser o meu poema mais belo
Mas se transformou no retrato da minha cabeça:
uma mera confusão...

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