quarta-feira, março 22, 2006

Sobre o dia em que o corpo estagnou estarrecido para assistir o desespero da mente

Carreguei por sobre os ombros o peso de mil Arcas de Noé
Hoje...um dos dias mais difíceis da minha vida
No clarão da raiar do dia...dose dupla de tarjas pretas
O prenúncio de um dia que demorou 1000 anos para passar
Palavras de rotina me soaram como xingamentos
A vida sem sentido
E a bola de saliva endurecida e desilusão
sufocando o grito entalado na garganta...

Desespero...

Depoimento no Orkut me chamando à razão da noite anterior
Fim do sonho
Tal qual o início de um pesadelo real sem fim

Chuva, tal como no começo
Mas não a que me chamava de volta à vida
E sim a que me esfriou e me endureceu coração e alma
Sombra do humano que fora
Só a soca
Só o pó...

E, ali parado
a esperança de que o frio das gotas
me trouxesse também um pouco de alento
lágrimas e chuva se misturando
se confundindo
Um poema declamado em voz alta
de improviso, com o desespero dos amaldiçoados
tal eu fui
Perplexo e atônito, tanta dor
Chuva e lágrimas, da boca saindo trovões
de auto-misericórdia e auto-flagelação
Assim passou
a chuva abandonou
a lágrima ficou...

Sessão de terapia holística
Aconselhamento
Olhos abertos para o mundo
para as coisas
mas principalmente para os sentimentos...

E assim foi um telefonema
Seguido de um poema mais impactante dificultando as coisas
E de uma conversa
aquele negócio feito de palavras
que pode trazer a paz
tanto quanto causa estragos

Hoje ganhei delas, as palavras,
porque consegui dizer tudo que sentia
e porque encontrei o caminho e o jeito
de tirá-las direto do coração para a boca
sem passar sequer perto da boca amarga do estômago...

Amanhã é outro dia
E o sol há de voltar
O fato é que quero viver na luz
com ela...

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