Tenho medo de ficar repetitivo
De não ser original
Mas mesmo correndo esse risco
vou escrever da brutona mais uma vez...
E, por ser a última,
que seja sincera
e que eu consiga transmitir tudo que ela me passa
Como ela me influencia...
Quando estamos a 160
Somos um só
Mesmo porque qualquer erro
por menor que seja
nessa velocidade
é provavelmente o último dos dois...
Então ela cuida de mim
e eu cuido dela
Como irmãos
Como velhos amigos
Como amantes fiéis
Para que sejamos perfeitos
Mesmo com o deslize dos outros
E também com imprevistos
É claro que há um risco
Mas há o prazer infinitamente mais elevado
A aceleração
O corpo em repouso num instante anterior
Lançado para a frente
Como um coice
Como numa catapulta
O vento que te beija
Abraça
Envolve
Que te faz sentir vivo
O barulho de trovão nas orelhas...
O deleite de estar ali naquele momento
quando não se consegue pensar em mais nada...
Pura meditação...
E a sensação de potência sob controle
poder...
E temos o mundo diante de nós
Somos donos de nosso destino
Não estamos fechados dentro de um carro
Com ar condicionado
Imaginando as sensações externas
Estamos ali
Em contato com tudo
Cheiros...calor...
Somos parte de um todo que nos envolve
Que está acima de nós...
E vislumbramos num relance todo o prazer
de uma vida de possibilidades...
Só quem já acelerou uma potranca em duas rodas
Sabe isso sem precisar dizer...
Não é preciso mais nada...
E o mundo todo a nós pertence...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário