Voltando da USP
Farol baixo
Quebrado
Mas ainda tem espaço e olho para a vista crítica
Para a indignação
Vi mais um menino
daqueles com bolinhas de tênis
fazendo malabares no farol
Nada de especial nele
mas o olhar era igual o de todos os outros
que vejo quase que diariamente
Se esforçando ao máximo
Buscando seu melhor dentro de seus limites
em troca de umas migalhas
advindas por detrás de vidros fumês
fechados
de carros egoístas
Insulfilme de vergonha...
Mais uma vez senti-me envergonhado
Passivo
E egoísta
Mesmo que tivesse esvaziado a carteira
na mão da criança
Ainda assim não resolveria
Nem para ele
E muito menos pra mim
Hoje ele estaria bem
Amanhã, de volta aos malabares
E eu continuaria me sentindo o pior dos piores
Será que todos têm essa sensação?
Há futuro sem presente?
Acho que sei a resposta
Todos sabem
Só tem vergonha ou estão acomodados demais para dizer
A miséria dele só perde para o meu senso de impotência
diante de algo que parece ser inevitável
E enquanto eu escrevo
Palavras palavras e mais palavras...
O meio injusto vai ceifando vidas
E fez mais uma vítima, numa maca de hospital público
precário
Sem atendimento
Sem voz
Mais uma criança cara!
Mas isso acontece todo segundo, não é mesmo?
Conformismo? O oitavo pecado capital...
Não é isso que quero ser
Não é esse o mundo que quero
O Potlatch chega em seu ponto extremo todos os dias
O Renascimento é inevitável
É só uma questão de tempo
Pra tocar um phoda-se nessa vida medíocre
E entrar de cabeça nas coisas que realmente importam
Enquanto isso, alimento minha mediocridade
Dando mais uma moedinha para a cara da fome
pela fresta do vidro do carro...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário