A vida passando diante dos olhos
De um miserável morador de rua
O barulho da condução o agride
A fumaça do escape como que 1001 cigarros
Guela abaixo, forçado
Tragado sem intenção
E aquela capa humana
Maltrapilha
não se incomoda
Nem sabe o que é isso
Como se alguma vez o soubesse
Ou não se lembra mais que é ser humano
É um bicho
É tudo que sobrou
De mais um potencial nessa sociedade hipócrita
Falsa
Injusta
A paisagem urbana é triste
É um tapa na cara daqueles que se importam
É um desafio constante
Conseguir colocar a cara pra fora de casa
E ver que o nosso mundinho artificial
é falso
é medíocre
fútil...
E que o fundo do poço, quando não é a repugnante indiferença
é a sensação de impotência
Não quero acordar um dia
no fim do meu tempo na Terra
e achar que não fiz nada na vida
que tenha valido um minuto em estar vivo
Não para mim
Para alguém, para algo menos evanescente
do que uma vida voltada pra individualidade
E assim quero as coisas
E assim quero que sejam
Porque sou muito mais do que esse corpo
Sou além sem me sentir o tal
Sou transcedental
Assim como qualquer outro
Ainda que muitos não tenham despertado
Cansei de ler livros
Cansei de botar a bunda em cadeiras de salas de aula
Estou farto de conhecimento burocrático
Já estudei o suficiente por 10 vidas
Agora tá na hora de fazer algo prático
A diferença
Pra isso estamos aqui...
Nada como uma boa crise
Ou uma paisagem urbana deprimente
que, como uma foto
de um preto e branco triste
se fixa em nossas mentes
poluem os nossos sentidos
que, como um tapa na cara,
nos faz acordar...
Pedala Robinho!
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