sexta-feira, abril 28, 2006

Questionamentos sobre a situação atual (abrangência pede generalidade na abordagem, mas não por isso insignificância ou superficialidade)

Ontem
Horas a fio
Conversa fora
Risadas
A cura pra todos é a mesma coisa
A catarse é coletiva
E é disso que a humanidade precisa

Recordo-me sempre da pirâmide das necessidades de Maslow
Encontro-me entre o quarto e quinto degraus
Mas nem por isso tenho necessidades que devem ser menosprezadas
em relação a quem está nos primeiros patamares
Enquanto nesse últimos o que dói é o estômago e o frio machuca sem piedade
Em mim e meus amigos a alma sofre com o peso de mil encostos
E o mundo dentro de nós se corrói, parece eternamente corrompido
Retrato passivo do mundo diante de nossos olhos...

Por isso, a luta é diária
Pela vida
Quer por comida e abrigo
Quer por um propósito que parece inexistente
Um clamor por um sentido em tudo
E é dura a batalha
Dia após dia
Caminhando pelos centros das grandes cidades
É possível vislumbrá-la
Quer no gesto moribundo de um mendigo pedinte
em suas vestes maltrapilhas
em sua sentença de inferioridade auto-decretada
Quer no olhar desesperançoso de um executivo de terno
que nem mesmo a arrogância inerente de um dos donos do mundo
e a prepotência conseguem esconder

E o mundo não está assim, uma maravilhosa escultura cadavérica onde cada um de nós é um osso podre que se desfarela com o passar do tempo?
Cadê a carne e o sangue? Cadê o pulsar, o vigor? Cadê a vida?
Há muito foram levados não se sabe por que ou quem
e está muito difícil recuperá-los

Cada um é imortal a sua maneira
Uns na sua infinita sabedoria
Outros em sua mais medíocre e inexpressiva existência

Resta a nós fazer algo realmente importante durante a nossa evanescente imortalidade
E é essa a busca, fonte inesgotável de dúvidas e questionamentos...

Como fazer pra gerar um sorriso descompromissado
o mais doce indicador de um mundo melhor?
Quer para a nossa glória, quer para a do mundo...
...o egoísmo mais altruísta que pode existir...

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