sexta-feira, abril 21, 2006

Poética reversa...

O sono macilento de duas horas deixa o corpo cansado, parece pedir mais. A cabeça se debate, gira se contorce. Não era pra ser assim. O frio da alma suplanta o do corpo. A noite vira dia, perde a graça, numa fuligem de pensamentos toscos.

Os vínculos foram rompidos. Todos. Sem exceção. Nunca houvera tanta liberdade nem tanto clamor por uma prisão que desse às vistas e aos sentidos quatro paredes bem sólidas. Referenciais.

O dom com as palavras se foi. Elas parecem não querer voltar. Deram um abraço em certos sentimentos e de mãos dadas se foram em direção ao horizonte. Talvez fugiram planejando nunca mais serem vistos.

- Inocência, você não pensa em voltar?
- Não seu otário, sai desse barco furado pra não afundar com ele. Só você tá aí insistindo. Você acha que vai conseguir mudar tudo e todos? Acha que tem ética? Acredita que nós, os sentimentos nobres, ainda não nos vendemos?
- ...
- Acredita em sonhos? Acredita nas pessoas? Acredita que um dia alguém possa mostrar alguma dose, por menor que seja, de sinceridade? Não. Você vai afundar com suas crenças, seus valores e seu amor próprio. Todos os sentimentos já partiram e só você não percebeu.
- ...

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