sexta-feira, agosto 11, 2006

O combate contra o ego do meu ego

De todas as certezas que ainda sou arrogante em dizer que tenho
A mais forte delas é a que reza contra o combate comigo mesmo
Minha cabeça não dá folga
Quando acho que já tinha enterrado todas nóias idiotas
Elas voltam e me explodem por dentro
Me comem o estômago
Acabam com minha metafórica paz
Não sou mais um
Tampouco dividido em dois
Nem "sou" mais
Fico mais para "passo a ser"
Como que em fragmentos infinitos
Cada um correndo para um lado
Mas todos em divergência um do outro
Egoísmo? Não enxerga um palmo pra fora do mundinho?
Pode ser...mas como constituir na cabeça um paradigma de mundo
Quando você não se reconhece mais
Não sabe o que é certo, o que é errado
Se é que existe certo e errado
As religiões professam que a vida plena e a iluminação
só são atingidas quando se supera a necessidade de classificação
entre certo e errado
Quando de fato não há mais certo e errado
Porque a escolha e o julgamento não mais existem
O Nirvana, estar além da necessidade de fazer julgamentos morais
Mas se na verdade houver uma inversão na relação causa e efeito
Ou seja, que para atingir o Nirvana preciso suplantar a necessidade de fazer tais julgamentos
Acho que nasci para ser eternamente mortal, imperfeito em sua última forma e, como tal, estar condenado a permanecer assim, sofrendo e fazendo todos ao meu redor sofrerem...

Quer saber? Sofro do mal do século e gosto disso: gosto de sofrer...me inspira...Será que sou masoquista? Acho que no fundo é outra classificação barata.

E me dá meu paraquédas: vamos até o limite buscar as respostas. A Brutona chegou perto de me contar o tanto que preciso ouvir, apesar de já saber a verdade, mas o barulho do vento não foi alto suficiente para eu conseguir ouvir os segredos que me esbofeteiam, e que mesmo assim finjo não existirem. 280 km/h em queda livre talvez possuam decibéis suficientes pra se fazerem ouvir. Talvez consiga viver depois disso...preciso ir até o limite...

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